Logótipo Pedais do Pai, desde 2020 José Ramos de capacete de bicicleta, a sorrir e de polegar para cima

Pedais do Pai

Pedalar para estar perto.

Há pais que levam os filhos à praia. Há pais que levam os filhos a hotéis. Eu levo as minhas filhas, a Marta e a Maria, de bicicleta.

Desde 2020, todos os anos reservamos uma semana para desaparecer do mapa. Carregamos as bicicletas, escolhemos uma direção e partimos. Já pedalámos pelo litoral português, pela costa alentejana, pelas Astúrias, pelos caminhos de Santiago, pela Galiza, pelo Gerês, pelo Alvão e pelas estradas e trilhos de Trás-os-Montes.

Mas este projeto nunca foi sobre geografia. Nem sobre desporto. Nem sequer sobre bicicletas. É sobre tempo. Tempo verdadeiro, sem distrações. Tempo para conversar durante uma subida, para resolver um problema mecânico, para procurar onde dormir, para enfrentar chuva, calor, vento ou cansaço. Tempo para descobrir que as dificuldades costumam ensinar mais do que o conforto.

«A bicicleta é rápida o suficiente para nos levar longe, mas lenta o suficiente para nos permitir observar.»

Sentimos o cheiro de uma floresta, o som de uma aldeia, a mudança da paisagem, o sabor de uma refeição merecida depois de muitas horas a pedalar. Num carro tudo passa depressa. A pé tudo demora demasiado. A bicicleta está exatamente no meio: é o ritmo perfeito para descobrir o mundo. E talvez também para descobrir quem somos.

Ao longo destes anos atravessámos montanhas, vales, praias, cidades, aldeias, caminhos históricos e lugares que nunca aparecerão em nenhum guia turístico. Conhecemos pessoas extraordinárias. Dormimos em campismos, pensões, hotéis improváveis e lugares que não estavam no plano. Mudámos de rota. Mudámos de ideias. Fizemos asneiras. Aprendemos. Voltámos a partir.

No fundo, este projeto tem um só objetivo: estar próximo das minhas filhas enquanto elas crescem. Criar memórias que não cabem num telemóvel. Ensinar autonomia sem dar lições. Mostrar que o mundo é maior do que o nosso dia a dia. E aproveitar o privilégio de ainda podermos pedalar lado a lado.

Agosto de 2025, na volta de Finisterra, Corunha e Santiago de Compostela.

Uma semana por ano

  1. 2020 · 16 a 25 de agostoPorto → Melgaço → Vila RealA estreia das filhas nestas andanças: a Marta tinha 14 anos. Pedalámos sem destino, do Porto sempre para norte. Chegados a Melgaço, debaixo de chuva, decidimos rumar a Vila Real, pelo Gerês e pelo Alvão. Foi inesquecível.
  2. 2021 · 15 a 22 de agostoVila Nova de Milfontes → Vila do Bispo → Vila Nova de MilfontesA Costa Alentejana é uma fresca surpresa: muitos trilhos de pisos diversos, até areia, muita vista de mar, praias deliciosas, boa comida e pouca gente. Bela volta de e-bike.
  3. 2022 · 9 a 16 de agostoAstúrias: Costa Verde e litoral do Cantábrico, em campismo na Playa de Vega, RibadesellaUma volta intensa às origens do nosso local favorito de férias em campismo, a Playa de Vega. De e-bike, explorámos o verde intenso dos prados e da vegetação que chega muito perto das falésias, das praias e das vilas piscatórias.
  4. 2023 · 6 a 12 de agostoPorto → Lisboa, com regresso de comboioO litoral de Portugal, do Porto a Lisboa, pela EuroVelo 1.
  5. 2024 · 3 a 10 de agostoVila Real → Santiago de Compostela, pelo Caminho de Chaves; regresso pelo Gerês e pelo AlvãoOs caminhos de Santiago: muita história, muitos trilhos e muitas estadias nas «termas» pelo caminho. O regresso repetiu os exigentes caminhos do Gerês e do Alvão.
  6. 2025 · 17 a 24 de agostoFinisterra → Corunha → Santiago de Compostela → FinisterraUma volta pelos caminhos de Santiago e por outros, pela Costa da Morte e pelos caminhos interiores. Um pico nas nossas viagens.
  7. 2026 · 17 a 26 de agostoVila Real → Ribeira de Pena → Montalegre → Chaves → Mirandela → Vidago → Vila RealEra obrigatório conhecer o nosso distrito. Estamos em casa, mas parece que estamos longe: o distrito é grande e tem paisagens únicas. Comida do melhor, gente ainda melhor e belas estadias, do Forte de São Francisco ao Vidago Palace. Estaremos a ficar lordes? Para que trazemos a tenda?

2020 · A primeira viagem

Porto → Melgaço → Vila Real · 16 a 25 de agosto

A estreia das filhas nestas andanças: a Marta tinha 14 anos. Pedalámos sem destino, do Porto sempre para norte. Chegados a Melgaço, debaixo de chuva, decidimos rumar a Vila Real, pelo Gerês e pelo Alvão. Foi inesquecível.

«Um dia elas seguirão os seus próprios caminhos. Espero que, quando olharem para trás, se lembrem destas semanas como algumas das melhores viagens da nossa vida. Não porque fomos longe. Mas porque fomos juntos.»

Em breve: a história de cada viagem.